
Começo esse texto falando da entropia que está vinculada à segunda lei da termodinâmica, que propõe que a entropia nunca diminui ao longo do tempo, ela só aumenta. Basicamente, todo fluxo de calor gerado se dissipa. A energia se espalha e causa desordem. Está vinculada ao conceito de "nada se perde, tudo se transforma". A energia dissipada aumenta a entropia do mundo, ou seja, deixa as coisas mais caóticas. O calor organizado, que me permitiu esquentar uma chaleira de água, se dissipou, e agora ele se espalha pelo ambiente. Ele não sumiu, mas não é mais possível organizá-lo novamente para gerar algo útil.
Está quente? Ligamos o ar para refrescar. Esfria dentro, mas esquenta ainda mais lá fora. A energia necessária para fazer o ar-condicionado gelar se dissipa, e fica por aí. Basicamente, é um círculo vicioso, e a tendência é que, cada vez mais, com mais coisas que dependem de energia, maior consumo, aumento da população e mudanças climáticas, a soma de calor e energia só acelere o aquecimento.

Mas vamos focar no tema, que é energia e agronegócio.
Uma informação que ouvi recentemente em um podcast foi sobre o carvão: nunca antes na história se consumiu tanto carvão quanto hoje em dia. Destaco isso pelo fato de que muitas vezes somos bombardeados com informações sobre ESG, sustentabilidade, carro elétrico, combate ao aquecimento global, carbono neutro, créditos de carbono, etc., e acabamos esquecendo que alguns dos países que mais nos cobram sustentabilidade são os menos sustentáveis. Podemos destacar que o Brasil é privilegiado e, antes de ser criticado, deveria ser visto como exemplo.
Temos dois tipos de energia usados: a energia elétrica, ou seja, eletricidade, e o tipo de energia que serve para gerar outros produtos. Um exemplo é o gráfico sobre o consumo final total por fonte no mundo, de 1990 a 2022. Tudo é gasto de energia. Para produzir uma lavoura de soja, por exemplo, existe o gasto de energia para produzir a semente, criar a embalagem, produzir o defensivo químico que será aplicado, o gasto energético humano, o aproveitamento da energia solar (fotossíntese), o diesel usado nos manejos da lavoura, a extração e produção dos maquinários, e assim vai. Entende o que quero dizer? Tudo o que fazemos é contrabalançado por um gasto energético. E talvez isso não seja novidade, mas o petróleo é a maior fonte de energia consumida no mundo, e é finito. O Brasil tem uma das bacias de petróleo ainda inexploradas, a bacia Foz do Amazonas. Só pelo nome, talvez você já entenda o motivo da polêmica e do IBAMA não ter autorizado a extração. De qualquer maneira, o mundo ainda precisa e depende muito de petróleo. Talvez você nem saiba, mas se pesquisar, quase tudo ao seu redor usa petróleo como matéria-prima. Não estamos falando apenas de combustível, mas de materiais e equipamentos.

Tudo bem, precisamos ser sustentáveis.
Em 2023, as adições globais à capacidade de energia renovável aumentaram cerca de 36%, atingindo 473 GW, um novo recorde pelo 22º ano consecutivo. A energia solar impulsionou esse aumento e foi responsável por três quartos de todas as adições de capacidade de energia renovável em 2023. Não vamos nem entrar aqui sobre o impacto ambiental após a perda da utilidade, eficiência e outros fatores...

China no Contexto de Energia
Alguns dados:
- A China continuou a dominar o setor de energia renovável, comissionando uma quantidade de capacidade solar fotovoltaica em 2023 equivalente ao total de adições globais em 2022.
- A China também operou cerca de 30 GW de energia eólica offshore até o final de 2023, aproximadamente metade da capacidade global.
- A China fornece mais de 95% dos painéis solares e peças instaladas na UE.
- O país abriga mais de 80% da capacidade de fabricação de painéis solares do mundo e os dez maiores fornecedores de equipamentos de fabricação solar fotovoltaica.

Esses desenvolvimentos foram contrabalançados. No entanto, por mais que existam muitas iniciativas sustentáveis, a realidade é outra. A China teve um aumento na produção e consumo de energia em geral, incluindo combustíveis fósseis. Em 2023, o país aprovou 114 GW de capacidade de energia a carvão, um aumento de 10% em relação a 2022. No total, a China aprovou 218 GW de novas usinas de carvão no período de dois anos, mais do que a capacidade total de energia instalada no Brasil.
A indústria solar fotovoltaica experimentou um ano de baixa lucratividade e avaliação. Nos Estados Unidos, os preços das ações das principais empresas solares caíram de 37% a 46% em 2023, devido principalmente às altas taxas de juros, aumento dos custos dos materiais, atrasos na permissão, excesso de estoque e desaceleração do crescimento da receita.

Uma das coisas que achei impactante é o número de pessoas que ainda não têm acesso à energia elétrica, principalmente na África. São 733 milhões de pessoas, quase 10% da população mundial. Recentemente, em uma palestra, ouvi que futuramente o Brasil poderia exportar alimento para a África, que cresce muito rápido. No entanto, estamos falando de um lugar que ainda não tem eletricidade, e falta desenvolvimento para que tenha condições de pagar por esse alimento. Assim como a Índia, que mesmo sendo a maior população do planeta, está bem longe do desenvolvimento e da capacidade de consumo da China. Além disso, existem fatores culturais que impactam diretamente no consumo, como o de carne, que hoje é um dos principais usos da soja.
Geração de Energia Limpa e Carbono

Quando falamos de geração de energia limpa, estamos falando de quantos gramas equivalentes de dióxido de carbono são emitidos em cada país. O Brasil é um dos que tem uma das energias mais limpas, junto com a Noruega. Porém, a capacidade de produção de energia limpa é maior na China. A diferença é que muitos países produzem muito mais energia renovável que o Brasil, mas o consumo energético per capita é muito maior, o que os leva a buscar outras fontes que não são renováveis.
O Brasil tem uma intensidade de carbono em torno de 98g por quilowatt-hora de eletricidade gerada, enquanto os EUA têm 369g, Austrália 549g, China 582g e Índia 713g. A Índia é um dos países que tem grandes metas para energias renováveis, mas se comprometeu a reduzir o uso de carvão na COP28, por ser um país em desenvolvimento. É aquela velha história: todos cresceram usando essas fontes, mas na vez deles, não pode mais...
Mix de Energia do Brasil

Abaixo está o mix de energia do Brasil, destacando a hidrelétrica como a principal fonte. Todo ano o consumo energético do mundo aumenta. Energia será um dos maiores desafios da humanidade, juntamente com o alimento. Um dos potenciais do Brasil, além da hidrelétrica, é a energia por meio do hidrogênio, solar, eólica, biomassa e oleaginosas. O país tem condições climáticas e naturais que o colocam não só como um grande produtor de alimento para o mundo, mas também como um grande produtor de energia.
Podemos dizer que estamos no caminho certo, mas ainda no início. Existe uma longa jornada pela frente, que vai precisar de muito investimento e preparo para ampliar a produção energética sem competir diretamente com a produção de alimento. Não basta apenas produzir, é preciso transformar. Já somos um grande produtor, precisamos ser um grande transformador. Talvez em algum momento possamos discutir também as barreiras comerciais, que hoje, por causa do protecionismo de muitos países, esbarram em questões políticas que limitam nosso crescimento. A grande questão é: quais são essas barreiras e o que precisa mudar?

