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Agro Depende

Pão nosso de cada dia, com trigo não somente nosso...

Por que o Brasil ainda importa trigo para o pão mesmo com genética que atende a indústria, e o que falta em logística, mercado e qualidade do grão.

Por Agro Depende ·

A agricultura Brasileira possui muitas oportunidades, porém, também possui muitos desafios.

Vivemos em um país continental, que detém uma das floras e faunas mais diversificadas do mundo, e como não poderia ser diferente, uma agropecuária tão diversificada quanto.

Nosso país é extenso tanto no seu tamanho em longitude e principalmente em latitude, fazendo com que o clima no território Brasileiro não seja o mesmo em todas as regiões, fazendo com que as culturas cultivadas necessitam passar por uma adaptação ou até melhoramento genético para ser possível sua produção em todo o país, além da interação destas plantas com o ambiente, pragas, diferentes solos e diversos outros fatores locais que acabam sendo mais uma variável no sistema produtivo.

Um exemplo destas culturas é o trigo, que vem aumentando sua área ano a ano e deixou de ser exclusividade da região sul do país, que possui um clima subtropical e tem as estações bem definidas, com a produção desta cultura subindo no território e sendo plantado em boa parte das regiões produtoras, através da utilização da irrigação, melhoramento genético e outras técnicas e tecnologias.

O desafio que enfrentávamos antigamente para com o trigo Brasileiro era sua qualidade para panificação, possuindo pouca força de glúten, além de ser mais escuro e não possuir tetos produtivos tão altos, tanto pela falta de novas cultivares de trigo, como também, pela utilização das mesmas variedades pelo produtor e a não remuneração adicional dos moinhos por trigos de melhor qualidade.

Porém esta questão mudou, possuímos genética de trigo para a indústria hoje e já estão sendo plantadas em grandes áreas, tendo tanto o trigo melhorador que aumenta a força de glúten da farinha quanto o branqueador, que possibilita a farinha uma coloração mais branca.

Se já passamos esta barreira de cultivares de trigo que atendam a demanda da indústria, por que precisamos comprar trigo estrangeiro para o pão nosso de cada dia?

Ainda temos algumas barreiras para quebrar, tanto na organização logística, armazenamento, separação do trigo e outros fatores, possibilitando que os moinhos classifiquem o trigo para suprir supre sua demanda de quantidade e qualidade. Além disto, a garantia de mercado para compra da produção deste cereal também é uma das barreiras que acabam desestimulando a produção, devido à alta volatilidade e baixa garantia de um preço mínimo ao produtor.

Porém, algo que dificulta ainda mais esta possibilidade de preços estáveis e garantia de venda, provem do campo, não apenas do mercado e indústria, e ela é...

A qualidade deste trigo!

Quando falo de qualidade, me refiro a quantidade de amido presente nos grãos, o que geralmente é medido pelo Ph (peso do hectolitro) que é a principal forma de classificar o trigo, mas não só isso, pois um fator muito importante que geralmente não é verificado no recebimento do grão pelas cooperativas e cerealistas, é a quantidade de micotoxinas presente nestes grãos.

Essa micotoxinas são originarias dos fungos que atacam principalmente a espiga do trigo, como a Giberela e a Brusone, que além de aumentarem a quantidade de micotoxina nos grãos, inviabilizam o crescimento de alguns grãos da espiga, podendo chegar a inviabilizar toda a espiga, diminuindo o potencial da lavoura e diminuindo o seu potencial de produção.

Conversamos sobre Giberela e Brusone com a Fitopatologista Cheila da Embrapa Trigo, para ouvir é só clicar no play ou no link abaixo:

Devido a esta baixa qualidade e a necessidade de produtos que atendam as especificações dos consumidores e da legislação, a falta de qualidade do trigo produzido no nosso país não consegue sanar a demanda nacional da indústria, tanto por quantidade como por qualidade, sendo preciso importar, assim misturando ambos e chegando aos requisitos do mercado.

Temos perspectivas que o Brasil será autossuficiente em trigo até 2030, porém possuímos um grande caminho pela frente!

A profissionalizar da cadeia é mais do que necessária, tanto antes, como dentro e fora da porteira, com a necessidade do produtor não focar não só em produzir, mas produzir com qualidade!

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