
Depende o que está sendo considerado como subsídio. Quando comparamos com outros países, o apoio aqui parece praticamente insignificante. Um dos primeiros pontos é o fato da representatividade do Agro em relação ao PIB do país.
O agro brasileiro representa cerca de 24% do PIB nacional, enquanto nos Estados Unidos chega em 5,5% do PIB. Ou seja, o Brasil é extremamente dependente do setor agrícola, diferente do EUA.
Brasil: 23,8% = US$ 517 bilhões
EUA: 5,5% = US$ 1,537 trilhão.
O EUA tem subsídios diretos ao produtor. Estimasse que 40% (normalmente abaixo disso) da renda agrícola americana pode ter algum tipo de apoio governamental. Enquanto no Brasil estima-se menos de 1% da renda teria um apoio governamental. Um dos ponto é que o pagamento desses subsídios são feitos de forma direta, do governo ao produtor, já no Brasil eles são muito mais de forma indireta.
Algum dos programas de subsídio americano são:
Garantia de renda → produtor recebe se preço ou renda cair.
Seguro agrícola subsidiado → cobre 80% da área, protege contra clima e preço.
CRP/CSP/EQIP → paga para não plantar e por práticas ambientais. Continua...
Pagamentos emergenciais → bilhões em crises (China, Covid, seca).
Apoios de mercado → preço mínimo, leite, açúcar, amendoim.
Já no brasil Seguro é pouco usado, só de clima. Crédito rural não é subsídio, o produtor paga. Preservação é obrigação legal, sem remuneração.
- Brasil tem subsídios, mas são indiretos e limitados (juros, seguro parcial, preços mínimos). - EUA tem subsídios diretos e massivos. Já as reduções de impostos para o setor agrícola brasileiro apenas evitam um efeito cascata, pois se trata de um setor primário.
Fator histórico
Os EUA tiveram décadas de antecipação na agricultura, criando política agrícola para sustentar exportações e ter poder de barganha global. Desde a Grande Depressão (anos 1930), o governo americano usa o agro como setor “protegido”.
A agricultura moderna no Brasil começa nos anos 70 com a criação da Embrapa. Depois, ganha força com a ocupação do Cerrado e o boom das commodities a partir dos anos 2000, que consolidou o país como potência agroexportadora. O que o Brasil e o agro precisam agora:
Processar mais internamente (soja → proteína, óleos, biocombustíveis).
Mais valor agregado
Reduzir custo Brasil (portos, ferrovias, armazenagem).
Melhorar competitividade de toda a economia, não só do agro.
Educação e inovação
Mão de obra qualificada para expandir tecnologia, indústria e serviços.
Retenção de jovens no campo
Diversificação econômica
Incentivar outros setores
Reduzir dependência do agro como motor único.
Maior segurança jurídica para atrair capital estrangeiro.
E não é SÓ ISSO.
Basicamente, o Brasil não é subsidiado. Enquanto não crescer em outras áreas da economia, seguirá cada vez mais dependente do agro. Isso não é bom nem para o agro, que fica exposto a riscos, nem para o país, que não diversifica suas fontes de crescimento.

