
A cultura do milho é muito rustica, porém, ao mesmo tempo, é uma das que mais sofre com ataques de pragas. Isto ocorre devido a sua baixa população por hectare e por geralmente, possuir apenas uma espiga por planta, não é possível uma compensação de produtividade pelas outras plantas da lavoura, diferente do que quando isto ocorre na soja, que possui um número maior de frutos por planta e maior numero de plantas por hectare.
Devido a estas características, o controle de pragas na cultura do milho, se torna um fator muito importante para possibilitar altas produtividades.
A planta do milho possui a característica de se desenvolver muito rapidamente, tanto dentro do solo, quando falamos em sistema radicular, quanto na sua parte aérea, devido a este fato, as pragas que causam maiores danos, são as que realizam seu ataque, enquanto a planta ainda está em sua fase vegetativa, principalmente no início da cultura.
Um exemplo que tem o potencial de prejudicar muito o potencial produtivo das plantas, consumindo suas raízes e diminuindo o potencial da planta de absorver água e nutrientes, além de prejudicar a sustentação da planta ao solo, destruindo o potencial produtivo das plantas atacadas, é a Larva Alfinete (Diabrotica speciosa), que após passar seu período larval, mesmo consumindo folhas de milho em sua fase adulta, não chega a causar danos importantes, apenas em raros casos que sua população esteja muito grande.
O Percevejo Barriga Verde (D. melacanthus ou D. furcatus) também só possui seu potencial de dano na fase inicial do milho, causando danos através da introdução do seu estilete na planta, com intuito de se alimentar, acabando causando lesões e injetando toxinas na planta, estas podem causar redução do estande de plantas, plantas sem espigas, multiespigamento, problemas de polinização. Em casos de ataques mais severos, pode ocorrer a morte precoce da planta, tendo o característico “coração morto”, iniciando pelo murchamento das folhas centrais e termina com secamento total da planta.
Já outras pragas causam dano não apenas no inicio da cultura, como é o caso da Lagarta do Cartucho (Spodoptera frugiperda), que a era considerada a principal praga do milho, sendo controlada no últimos anos pela biotecnologia inserida no milho, porém, a cada ano ganhando resistência a esta tecnologia, devido a grande pressão de resistência causada pela falta de utilização de medidas preventivas, como a aderência ao refugio e manejo integrado de pragas.
Esta praga causa danos principalmente na fase vegetativa do milho, sendo mais prejudicial quando ataca o inicio da cultura, porém causando danos até a fase reprodutiva do milho. Tem um apetite voraz, em alguns casos pode até destruir totalmente o cartucho do milho. Na fase inicial pode causar dano as plântulas, na fase vegetativa prejudicar do desenvolvimento das folhas e podendo destruir o cartucho, assim as plantas não chegando a fase reprodutiva e quando ataca na fase reprodutiva, as lagartas migram das folhas para as espigas, se alimentando das mesmas e podendo cortar os estilo-estigmas, dificultando que a polinização possa acontecer.
Conversamos sobre todas estas pragas e outras no episódio do Podcast Agro Depende, gravado com o Entomologista e pesquisador Glauber Renato Stürmer, no episódio 151º AD – Pragas do Milho, para ouvir basta clicar na imagem acima ou no play abaixo:

A atual praga que mais esta causando danos na cultura do milho é a tão temida Cigarrinha do Milho (Dalbulus maidis), que em seu ataque nas plantas, praticamente não causa nenhum dano, estando sempre presente na cultura do milho e nem sendo considerada uma praga importante.
Porém isto mudou nos últimos anos, devido a esta praga se tornar vetor das de doenças Rayado fino, além de dois molicutes que causam o enfezamento da cultura do milho, Spiroplasma kunkelli (enfezamento pálido) e fitoplasma (enfezamento vermelho). A praga não nasce com esta doença, sendo adquirida em plantas já infectadas, as quais as cigarrinhas ninfas ou adultas se alimentam, e após infectadas, transmitindo para outras plantas de milho que se alimentam, assim causando sérios prejuízos a cadeia produtiva e em alguns casos, realmente, dizimando plantações.
Para saber mais sobre esta praga tão importante da cultura do milho, ouça o episódio “#96º Agro Depende - Cigarrinha do Milho e o Complexo de Enfezamento”, que foi gravado com o Eng. Agrônomo Paulo Garollo, só dar play abaixo:
Além do Agro Depende Essencial gravado pelo Host do Agro Depende e Eng. Agrônomo Eduardo Sebastiany, só dar play abaixo:
A Cigarrinha do Milho vem nos mostrando como a agricultura é dinâmica, nunca ficando estagnada, tanto em novas tecnologias, como novos problemas e necessidade de novos manejos e conhecimentos. Um deste conhecimento primordiais é a identificação desta praga, que não é tão comum a maior parte dos produtores e técnicos, para aprender como identificar, olhe o vídeo abaixo que vai te auxiliar e muito:
No passado, quem nos lembrou desta constante mudança na agropecuária foi a ferrugem da soja, que hoje é considerada uma doença que convivemos bem, aprendemos como realizar seu manejo e a ciência em desenvolver ferramentas para seu controle.
Por exemplos como estes, devemos estar sempre em plena atualização, lendo, participando de eventos, palestras, treinamentos...
Uma das formas de ficar atualizado, enquanto dirige, verifica lavoura, planta, aplica, faz manutenção nos maquinários ou até lavando a louça, é ouvindo podcast, que te informa de uma forma descontraída, trazendo a discussão técnica de forma descontraída, como o Agro Depende!
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